segunda-feira, 2 de março de 2015

Genealogia e Historia dos Meirelles e Afins 6.2 (cont. 6.2) Cap 4 Ascend. de Domingos - Amaral

Cap. 4 Ascendentes de Domingos - A Família Amaral

Cap 4 Ascendentes de Domingos - 4.1.2 O casal Amaral e Meirelles

Em construção permanente
Esta é a continuação do capítulo de mesmo número no endereço abaixo
domingosejoanita.blogspot.com
Nota: O capítulo imediatamente anterior está no link abaixo
http://domingosejoanita061.blogspot.com.br/2015/02/anna-osorio-do-amaral-matriarca-foto-de.html
Abaixo Imagens do casal em épocas diferentes
Antonio José Meirelles 2o  (1834 - 1901) Imagem provável em 1899 quando tinha 65 anos
Anna Osorio do Amaral Meirelles (1861 - ? 194?) em 1927 aos 66 anos



 Documentos do Casamento de 
Antonio José de Meirelles e Anna Osorio do Amaral
Na certidão de casamento abaixo vê-se a filiação de ambos os nubentes.





Casamento de Antonio José com Anna,  ele com presumíveis  45 anos e ela com 19 anos.
Transcrição do assento (1 -  Ig. São Joaquim / Div. Esp. Sto.  Lv. 2 pg 7v. Arq. 1879 jul -  1896 mar, 2 Cúria do Rio de Janeiro ET  Family search Igreja São joaquim RJ - RJ /  Brazil – Parish and Diocesan Records RJ / RJ Matrimonios 1879, jul – 1886, mar / Image 13 of 176.)

Aos 22/11/1879 depois de cumprido  o que ordena o Sac. Conc. Trid. e Leis Civis, não havendo impedimentoalgumpelas 4 horas da tarde recebi em matrimônio a Antonio José de Meirelles, filho natural de Antonio José de Meirelles e Maria Leonor da Guia, natural e baptisado na freguesia de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba, morador na freguesia do Espirito Santo com Anna Osorio do Amaral, filha legitima de Felippe Antonio do Amaral e Gertrudes Maria Osorio do Amaral, natural e baptizada na mesma freguesia e moradora no Engenho Novo d ‘esta Corte. Foram testemunhas o Comendador Joaquim Pinto Magalhães e José Pereira da Silva, que comigo assinam.Vigario José Alves Pereira, Joaquim Pinto Magalhães , a rogo de José Pereira da Silva, Felippe Antonio do Amaral


News Cuttings - Recortes e Jornais
Felippe Antonio do Amaral Negociante do Império
Em família o casal Lipe e Trudi 
um exemplo de agregadores e benfeitores.
Foi seu apoio ao casamento de sua filha Anna Osorio do Amaral aos 18 anos com o amigo negociante Antonio José de Meirelles quando este já tinha 45 anos e já era bem estabelecido na praça que fizeram desta união um sucesso familiar.
TRUDI (1836-1890) & LIPPE (1824-1901)

Os negócios de Felippe o projetaram socialmente não só na particpação da Guarda nacional mas também na expansão geográfica de suas operações além de Mangaratiba.


Seu endereço à época era Rua do Alcântara e seu rendimento declarado era de 1800$.


Batuques e Arokins


Trudi era a motivadora desta movimentação em torno dos batuques. Ela era pianista e tinha grande interesse em coletar elementos da cultura musical afro brasileira. Ela tinha consciência da importância de se estudar a história de africanos e de afro-descendentes por ser  relacionada às profundas relações que sua família guardava com a África. Mangaratiba era o retrato perfeito de um melting-pot em que ocorriam já há mais de um século encontros e confrontos entre diferentes grupos étnicos como indígenas, europeus, africanos.

Mas como ela não podia frequentar os batuques foi ajudada por Filippe e alguns escravos da família que frequentavam os becos para coleta de  material cultural. A ida dos escravos da família e eventualmente do próprio Filippe aos batuques visava atender a curiosidade de Trudi na investigação da presença da cultura negra na Corte e das relações sociais estabelecidas entre os diferentes grupos étnicos. Assim ela, que já havia conseguido documentar as  tradições dos AROKINS de Mangaratiba  e um ou dois griôs, estendeu seu olhar sobre o que ocorria nos batuques da Corte.

Os arokins se diferençavam por  serem de Angola, Moçambique e Congo  e por unirem suas histórias  chamadas Bundus com cantos e danças e por praticarem capoeira. Já os pouquíssimos  griôs vinham da África Ocidental e do noroeste da África e se caracterizavam, pelo menos no Brasil por  não serem musicais nem capoeiras.  Ambos eram como o sangue de pequenas comunidades atuando como contadores de histórias, genealogistas, mediadores políticos e poetas.  Havia escravos do casal que desde Mangaratiba eram Arokinsque  gostavam de frequentar os batuques do Rio de Janeiro. Isto atraiu a atenção de Filippe e Trudi.

Trudi sabia que eles eram verdadeiras bibliotecas  vivas da tradição oral de vários povos africanos. E se na África  Arokins eram predestinados de nascimento, como  herdeiros de uma origem e tradição, ela imaginou que no Brasil isto podia ser democratizado e estas habilidades  poderiam ser cultivadas por qualquer pessoa independente de ser branco ou preto ou índio. Assim estes Novos Arokins poderiam voluntariamente  assumir direitos e deveres, e ser responsáveis  por guardar e transmitir a história e a cultura da nova geografia e sociedade emergente no século XIX. Com  o registro em partituras das músicas e histórias ela imaginava que poderia preservar algo  da tradição oral,perecível que transmitisse às novas gerações estas tradições, já aculturadas. Por influência de Filippe e cautela promoveu uma exclusão dos temas de fundo religioso para evitra conflitos com a Igreja.De sua iniciativa resultaram apenas umas poucas páginas de bundus e partituras que foram guardados nos arquivos de família. Todavia Filippe conseguiu mudar os locais de alguns batuques para alguns casarões velhos. Estes foram precursores de gafieiras e de escolas de iniciação musical, visando melhorar o nível das produções culturais e evitar conflitos com a Polícia.






A personalidade dos dois amigos que eram também sogro e genro
Filippe Antonio do Amaral e Antonio José de Meirelles 2º  eram amigos de unha e carne desde a juventude Segundo consta nos arquivos  de Tetê, foi o tutor de Antonio que os aproximou e os fez ambos admiradores de  Antonio José de Meirelles 1º . Mas tinham personalidades totalmente diferentes. Filippe era ativo e extrovertido, enquanto Antonio era Reflexivo e introvertido.
Antonio como filho natural de um tycoon, e de uma mestiça era alguém que precisa voltar-se para seu mundo interior e explorá-lo, pois os seus referenciais lá se encontram e o mundo parece ser ameaçador. Já Filippe tinha uma atitude de constante doação e intromissão em tudo. Era capacitadíssimo na apreciação sensorial das coisas. N uma reunião social era tão observador que poderia  descrever não só as vestimentas, mas o espírito, o humor e o caráter das pessoas e além disto podia reconhecer a qualidade dos móveis, dos tapetes. Seu relacionamento era concreto e prático  com os objetos exteriores. Adaptável  ele sabia misturar a disciplina lusitana dos açorianos com o caos brasileiro e a indisciplina afro-tupi. Com isso sabia contornar as circunstâncias com seu seguro sentido da realidade.Como era um boa praça que "sabe viver”  ele gostava de música e dos  batuques, pois isso o fazia entender melhor os que trabalhavam com ele. Entre estes  havia muitos escravos, como Sabino e Miguel que andaram a deshoras, ou como Maurício que proferiu palavras obscenas ou a preta Henriqueta,  todos frequentadores como ele destes batuques. O importante para ele é o conhecimento intuitivo, minucioso, exatamente funcional, dos objetos e seres. Isto o fazia  amigo da música e dos escravos, pardos livres  e indígenas igualmente extrovertidos.
Já seu grande amigo Antonio José tinha a postura fleugmática e severa daquele que deseja se afirmar como mestiço, como filho natural numa sociedade, que nos meios negociais era pragmática e sem muitos preconceitos, onde era aceito. Mas que a nova nobreza, e sobretudo alguns pozitivistas  e  outros pedantes,  ao contrário dos bons exemplos de D  Pedro II ainda tinha restrições à mestiçagem. Antonio José e Filippe Antonio se completavam e se equilibravam. O contato de Filippe com os afro-tupis era informal e valorizava a sua espontaneidade e criatividade. Já Antonio buscava com o máximo de formalidade aqueles que como ele e seus antepassados souberam se adaptar e ascender na sociedade dentro do estilo europeu. Enquanto Filippe colecionava relacionamentos, manifestações ao vivo em artes, o aprendizado prático e experiências variadas com todas as classes, Antonio colecionava artes congeladas em objetos, valorizava a educação formal técnica, as expressões mais elevadas das artes e privilegiava relacionamentos sociais refinados e propugnava pela elevação das classes menos favorecidas.

O Sucesso comercial de Filippe se explica por que  o mundo brasileiro mestiço era  pleno de sons, imagens, aromas e cores e toda sorte de estímulos sensoriais, valorizava significativamente o contacto objetivo e extrovertido com as coisas, com as formas, com as cores, com os preços, os tamanhos, etc..., como ele era mestre em navegar neste universo. Todavia  ele sabia que apesar dessa supervalorização do conhecimento objetivo, era necessário  compreender os dotes sentimentais e afetivos das pessoas mais sensíveis e mais aptas a atribuir significados subjetivos às coisas. Isto é que o fazia ser tolerante e íntimo de seu grande amigo Antonio e de seus escravos. Sua curiosidade com  a natureza o fez admirador de Charles Darwin, porque ele também, avaliava a realidade extrovertidamente, demonstrando  conhecimento  minucioso do mundo objectual à sua volta. Contudo ele não tinha o mesmo ímpeto e desejo de transformação social do mundo de Antonio José, só queria entendê-lo.
Sabe-se pelos registros de família que Antonio José, quando estimulado a se extroverter, ou convidado a frequentar os batuques por Filippe dizia:
 - "V por ser bem-nascido não precisa se afirmar diariamente. Já eu meu amigo senão o fizer mergulho no precipício social. 

O que se sabe de Filippe é que era um expert na realidade e métodos do comércio e também das relações humanas que aproximam as pessoas para os negócios. Sua origem lusitana açoriana objetiva,  globalista e sua curiosidade infinita inseridas num ambiente como os de Mangaratiba e da Corte que eram cosmopolitas naturalmente, sem treinamento formal, o fizeram também um linguista prático e desenvolto.
Sabe-se ao certo que conhecia várias línguas de um modo prático, intuitivo e simples que o permitia entender-se com os padres (homens de fé), os peixeiros (homens de negócios), os poetas (homens de criatividade) e as putas (mulheres simples). Pelo menos em tupi, frances, inglês e flamengo se tem notícia de suas anotações. Todavia é possível que conhecesse também o espanhol e algum dialeto italiano dos navegantes e comerciantes que passavam ou se estabeleciam por aqui.

Notas sobre os descendentes de Filippe






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