Cap. 4 Ascendentes de Domingos - A Família Amaral
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Esta é a continuação do capítulo de
mesmo número no endereço abaixo
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Nota: O capítulo imediatamente anterior está no link abaixo
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Abaixo Imagens do casal em épocas diferentes
Antonio José Meirelles 2o (1834 - 1901) Imagem provável em 1899 quando tinha 65 anos
Anna Osorio do Amaral Meirelles (1861 - ? 194?) em 1927 aos 66 anos
Documentos do Casamento de
Antonio José de Meirelles e Anna Osorio do
Amaral
Na certidão de casamento abaixo vê-se a filiação de ambos os nubentes.
Casamento de Antonio José com Anna, ele com presumíveis 45 anos e ela com 19 anos.
Transcrição
do assento (1 - Ig. São Joaquim / Div. Esp.
Sto. Lv. 2 pg 7v. Arq. 1879 jul - 1896 mar, 2 Cúria do Rio de Janeiro ET Family search Igreja São joaquim RJ - RJ
/ Brazil – Parish and Diocesan Records
RJ / RJ Matrimonios 1879, jul – 1886, mar / Image 13 of 176.)
Aos 22/11/1879
depois de cumprido o que ordena o Sac.
Conc. Trid. e Leis Civis, não havendo impedimentoalgumpelas 4 horas da tarde
recebi em matrimônio a Antonio José
de Meirelles, filho natural de Antonio José de Meirelles e Maria Leonor
da Guia, natural e baptisado na freguesia de Nossa Senhora da Guia de
Mangaratiba, morador na freguesia do Espirito Santo com Anna Osorio do Amaral, filha legitima de Felippe Antonio do
Amaral e Gertrudes Maria Osorio do Amaral, natural e baptizada na mesma
freguesia e moradora no Engenho Novo d ‘esta Corte. Foram testemunhas o
Comendador Joaquim Pinto Magalhães e José Pereira da Silva, que comigo
assinam.Vigario José Alves Pereira, Joaquim Pinto Magalhães , a rogo de José
Pereira da Silva, Felippe Antonio do Amaral
Felippe Antonio do Amaral Negociante do Império
Em família o casal Lipe e Trudi
um exemplo de agregadores e benfeitores.
Foi seu apoio ao casamento de sua filha Anna Osorio do Amaral aos 18 anos com o amigo negociante Antonio José de Meirelles quando este já tinha 45 anos e já era bem estabelecido na praça que fizeram desta união um sucesso familiar.
Foi seu apoio ao casamento de sua filha Anna Osorio do Amaral aos 18 anos com o amigo negociante Antonio José de Meirelles quando este já tinha 45 anos e já era bem estabelecido na praça que fizeram desta união um sucesso familiar.
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| TRUDI (1836-1890) & LIPPE (1824-1901) |
Os negócios de Felippe o projetaram socialmente não só na particpação da Guarda nacional mas também na expansão geográfica de suas operações além de Mangaratiba.
Seu endereço à época era Rua do Alcântara e seu rendimento declarado era de 1800$.
Batuques e Arokins
Notas sobre os descendentes de Filippe
Seu endereço à época era Rua do Alcântara e seu rendimento declarado era de 1800$.
Batuques e Arokins
Trudi era a motivadora desta
movimentação em torno dos batuques. Ela era pianista e tinha grande interesse em
coletar elementos da cultura musical afro brasileira. Ela tinha consciência da
importância de se estudar a história de africanos e de afro-descendentes por
ser relacionada às profundas relações
que sua família guardava com a África. Mangaratiba era o retrato perfeito de um
melting-pot em que ocorriam já há mais de um século encontros e confrontos
entre diferentes grupos étnicos como indígenas, europeus, africanos.
Mas como ela não podia frequentar
os batuques foi ajudada por Filippe e alguns escravos da família que
frequentavam os becos para coleta de material cultural. A ida dos escravos da
família e eventualmente do próprio Filippe aos batuques visava atender a
curiosidade de Trudi na investigação da presença da cultura negra na Corte e
das relações sociais estabelecidas entre os diferentes grupos étnicos. Assim ela,
que já havia conseguido documentar as
tradições dos AROKINS de Mangaratiba
e um ou dois griôs, estendeu seu olhar sobre o que ocorria nos batuques
da Corte.
Os arokins se diferençavam
por serem de Angola, Moçambique e
Congo e por unirem suas histórias chamadas Bundus com cantos e danças e por
praticarem capoeira. Já os pouquíssimos griôs
vinham da África Ocidental e do noroeste da África e se caracterizavam, pelo
menos no Brasil por não serem musicais
nem capoeiras. Ambos eram como o sangue
de pequenas comunidades atuando como contadores de histórias, genealogistas, mediadores
políticos e poetas. Havia escravos do
casal que desde Mangaratiba eram Arokinsque gostavam de frequentar os batuques do Rio de
Janeiro. Isto atraiu a atenção de Filippe e Trudi.
Trudi sabia que eles eram
verdadeiras bibliotecas vivas da
tradição oral de vários povos africanos. E se na África Arokins eram predestinados de nascimento,
como herdeiros de uma origem e tradição,
ela imaginou que no Brasil isto podia ser democratizado e estas habilidades poderiam ser cultivadas por qualquer pessoa
independente de ser branco ou preto ou índio. Assim estes Novos Arokins
poderiam voluntariamente assumir direitos
e deveres, e ser responsáveis por
guardar e transmitir a história e a cultura da nova geografia e sociedade emergente
no século XIX. Com o registro em partituras
das músicas e histórias ela imaginava que poderia preservar algo da tradição oral,perecível que transmitisse às
novas gerações estas tradições, já aculturadas. Por influência de Filippe e
cautela promoveu uma exclusão dos temas de fundo religioso para evitra
conflitos com a Igreja.De sua iniciativa resultaram apenas umas poucas
páginas de bundus e partituras que foram guardados nos arquivos de família. Todavia Filippe conseguiu mudar os locais de
alguns batuques para alguns casarões velhos. Estes foram precursores de
gafieiras e de escolas de iniciação musical, visando melhorar o nível das produções
culturais e evitar conflitos com a Polícia.
A personalidade dos dois amigos que eram também sogro e genro
Filippe Antonio do Amaral e Antonio José de Meirelles 2º eram amigos de unha e carne desde a juventude
Segundo consta nos arquivos de Tetê, foi
o tutor de Antonio que os aproximou e os fez ambos admiradores de Antonio José de Meirelles 1º . Mas tinham personalidades
totalmente diferentes. Filippe era ativo e extrovertido, enquanto Antonio era
Reflexivo e introvertido.
Antonio como filho natural de um tycoon, e de uma mestiça
era alguém que precisa voltar-se para seu mundo interior e explorá-lo, pois os
seus referenciais lá se encontram e o mundo parece ser ameaçador. Já Filippe
tinha uma atitude de constante doação e intromissão em tudo. Era
capacitadíssimo na apreciação sensorial das coisas. N uma reunião social era
tão observador que poderia descrever não
só as vestimentas, mas o espírito, o humor e o caráter das pessoas e além disto
podia reconhecer a qualidade dos móveis, dos tapetes. Seu relacionamento era
concreto e prático com os objetos
exteriores. Adaptável ele sabia misturar
a disciplina lusitana dos açorianos com o caos brasileiro e a indisciplina
afro-tupi. Com isso sabia contornar as circunstâncias com seu seguro sentido da
realidade.Como era um boa praça que "sabe viver” ele gostava de música e dos batuques, pois isso o fazia entender melhor
os que trabalhavam com ele. Entre estes havia
muitos escravos, como Sabino e Miguel que andaram a deshoras, ou como Maurício
que proferiu palavras obscenas ou a preta Henriqueta, todos frequentadores como ele destes batuques.
O importante para ele é o conhecimento intuitivo, minucioso, exatamente funcional,
dos objetos e seres. Isto o fazia amigo
da música e dos escravos, pardos livres e indígenas igualmente extrovertidos.
Já seu grande amigo Antonio José tinha a postura fleugmática
e severa daquele que deseja se afirmar como mestiço, como filho natural numa
sociedade, que nos meios negociais era pragmática e sem muitos preconceitos, onde
era aceito. Mas que a nova nobreza, e sobretudo alguns pozitivistas e
outros pedantes, ao contrário dos
bons exemplos de D Pedro II ainda tinha restrições
à mestiçagem. Antonio José e Filippe Antonio se completavam e se equilibravam. O contato de Filippe com os afro-tupis era informal e valorizava a sua espontaneidade e criatividade. Já Antonio buscava com o máximo de formalidade aqueles que como ele e seus antepassados souberam se adaptar e ascender na sociedade dentro do estilo europeu. Enquanto Filippe colecionava relacionamentos, manifestações ao vivo em artes, o aprendizado prático e experiências variadas com todas as classes, Antonio colecionava artes congeladas em objetos, valorizava a educação formal técnica, as expressões mais elevadas das artes e privilegiava relacionamentos sociais refinados e propugnava pela elevação das classes menos favorecidas.
O Sucesso comercial de Filippe se
explica por que o mundo brasileiro mestiço
era pleno de sons, imagens, aromas e
cores e toda sorte de estímulos sensoriais, valorizava significativamente o
contacto objetivo e extrovertido com as coisas, com as formas, com as cores,
com os preços, os tamanhos, etc..., como ele era mestre em navegar neste universo. Todavia ele sabia que apesar dessa supervalorização do
conhecimento objetivo, era necessário
compreender os dotes sentimentais e afetivos das pessoas mais sensíveis
e mais aptas a atribuir significados subjetivos às coisas. Isto é que o
fazia ser tolerante e íntimo de seu grande amigo Antonio e de seus escravos.
Sua curiosidade com a natureza o fez
admirador de Charles Darwin, porque ele também,
avaliava a realidade extrovertidamente, demonstrando conhecimento minucioso do mundo
objectual à sua volta. Contudo ele não tinha o mesmo ímpeto e desejo de transformação social do mundo de Antonio José, só queria entendê-lo.
Sabe-se pelos registros de família que Antonio José, quando estimulado a se extroverter, ou convidado a frequentar os batuques por Filippe dizia:
- "V por ser bem-nascido não precisa se afirmar diariamente. Já eu meu amigo senão o fizer mergulho no precipício social.
Sabe-se pelos registros de família que Antonio José, quando estimulado a se extroverter, ou convidado a frequentar os batuques por Filippe dizia:
- "V por ser bem-nascido não precisa se afirmar diariamente. Já eu meu amigo senão o fizer mergulho no precipício social.
O que se sabe de Filippe é que
era um expert na realidade e métodos do comércio e também das relações humanas
que aproximam as pessoas para os negócios. Sua origem lusitana açoriana objetiva, globalista e sua curiosidade infinita inseridas
num ambiente como os de Mangaratiba e da Corte que eram cosmopolitas naturalmente,
sem treinamento formal, o fizeram também um linguista prático e desenvolto.
Sabe-se ao certo que conhecia
várias línguas de um modo prático, intuitivo e simples que o permitia
entender-se com os padres (homens de fé), os peixeiros (homens de negócios),
os poetas (homens de criatividade) e as putas (mulheres simples). Pelo menos em
tupi, frances, inglês e flamengo se tem
notícia de suas anotações. Todavia é possível que conhecesse também o espanhol
e algum dialeto italiano dos navegantes e comerciantes que passavam ou se estabeleciam
por aqui.
Notas sobre os descendentes de Filippe














